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domingo, 27 de novembro de 2011

Bead Heads: as "miçangas" para pesca

Quem ata suas moscas a algum tempo sabe a diferença entre os "bead heads" para pesca e as miçangas comuns.


As miçangas para confecção de bijuterias e artesanato podem ser encontradas em uma enorme variedade de cores e tamanhos, em algumas lojas de armarinhos existem catálogos, em geral custam muito pouco. Porém... sempre existe um porém, neste caso dois "poréns".


Primeiro é no caso das miçangas metalizadas: prata, cobre e dourado, que são as cores mais usadas para quem pesca com mosca. As miçangas de bijuteria em geral não resistem muito bem a água e vão perder o brilho ou, em alguns casos, enferrujar logo após a primeira pescaria.

O outro segundo problema é que algumas miçangas simplesmente não dá pra usar. Elas não passam pela curvatura do anzol. Lembra dos excelentes bead heads inúteis. As miçangas para bijuteria raramente se prestam para a pesca, pois elas tem o furo do mesmo tamanho dos dois lados, que geralmente é pequeno e por isso elas não vão passar na curvatura no anzol. O barato pode sair muito caro. Tudo o que você compra e não usa é caríssimo, não importa o preço. Se pagou 1 real por 100 miçangas mas não conseguiu usar nenhuma, jogou dinheiro fora.

Já as miçangas para a pesca com mosca, os famosos bead heads, não sofrem deste mal. Pois são feitas para passar pela curvatura do anzol, por isso um dos lados o furo é maior ou tem uma ranhura para passar pela curvatura livremente.



Já em relação aos bead heads metálicos, em sua maioria são fabricados em latão, cobre ou alumínio e resistem relativamente bem a água. Não oxidam, mas perdem o brilho com o tempo. Uma alternativa que não perde o brilho com tanta facilidade são os bead heads de tungstênio, que são mais caros.

Uma dúvida comum é qual o tamanho do bead head para cada tamanho de anzol, já que geralmente são vendidos com tamanhos em fração de polegada ou em milímetros.

Felizmente existem algumas tabelas que auxiliam a escolha. Mas tenha em mente que elas são apenas para uma referência básica e não uma regra fixa. Pois o formato e espessura do anzol pode variar e também podemos querer fugir das regras, fazendo iscas com cabeças maiores ou menores.

Só não me pergunte porque a maioria dos vendedores não coloca essas tabelas nos seus sites. Ou eles acham que você tem a obrigação de saber tudo ou ficam felizes se você errar e tiver que comprar mais que o necessário?


Pesquisando um pouco mais encontrei outra tabela um pouco diferente e mais simples que traz o tamanho do anzol de "referência", mas na prática pode considerar também um anzol acima e um abaixo. Por exemplo, para o bead head de 2 mm, o tamanho de referência é o 18, mas quase sempra vai poder usar também no 20 e no 16.


 Como já foi escrito, o material de que são fabricados pode variar, em geral são feitos de latão, alumínio, cobre, tungstênio, chumbo ou plástico. Estes materiais tem densidades diferentes e um bead head do mesmo tamanho de diferente material terá peso diferente. A escolha do material, mais ou menos pesado, tem relação direta com a profundidade que você deseja que a sua mosca atinja. Para quem quer brilho máximo, mas não quer muito peso existem alguns bead de tungstênio que são ocos ou de alumínio ou plástico com tratamento que realça o brilho.


Vou ficar devendo fotos de iscas feitas com miçanga, mas este tópico já estava ficando longo mesmo, então até a próxima.

domingo, 19 de outubro de 2008

Alternativo, genérico, similar ou novo?

O termo material alternativo foi criado pelos primeiros atadores tupiniquins, que não encontravam o material específico de atado e, com o bom jeitinho brasileiro, improvisavam com outros materiais. Se isso acontecesse hoje em dia certamente seria chamado de material genérico. Depois da regulamentação dos medicamentos genéricos, o termo "genérico" passou a ser usado indistintamente para similares, piratas, cópias e outros que se parecem com algo tido como original.

Já falamos um pouco sobre o assunto antes, primeiro sobre o uso de materiais de fantasia e depois sobre o uso de fio de cobre. Mas eu penso que já está na hora de fazer uma distinção entre: alternativo, genérico, similar e novo. Pra mim muito do que é chamado de alternativo é na verdade similar ou genérico. Ou seja é o mesmo "ingrediente" mas não necessariamente o mesmo produto.

O marabou, penas muito usadas para atar as famosas wooly buggers, pode ser substituído pelo marabou encontrado em lojas de armarinho, festas ou fantasias, na forma de estolas de penas, que também é marabou, mas são penas de qualidade incompatível com as para atado. Neste caso, acho que poderíamos chamar de similar, embora seja o mesmo "ingrediente", o resultado não vai ser o mesmo.



Para os genéricos se espera o mesmo efeito do original. Já falamos sobre o fio de cobre de transformadores, um verdadeiro genérico, outro exemplo poderiam ser as penas de pavão, também encontradas em lojas de armarinho, fantasias e festas. Neste caso, na maioria das vezes a diferença será mínima, praticamente imperceptível. Este eu classificaria como material genérico. Se bem que é mais fácil e barato (outra hora explico as contas) comprar um pacote de fibras de pavão selecionadas do que comprar uma pena e ficar escolhendo fibra por fibra.



Outra hora escrevo sobre o que eu considero alternativo de verdade e o que seriam os materiais novos, senão o post fica longo demais e assim também eu me obrigo a atualizar o blog.